À Espreita Entrevista: Vitor Hugo Souza, a mente por trás da Ghost Flowers.

Artista plástico do Pantanal fala sobre suas experiências, conquistas e o seu modo de sentir a arte e meio em que vive.

A entrevista de hoje é com o artista plástico, desenhista, pintor entre outras coisas, Vitor Hugo Souza. Embarque conosco nessa conversa super empolgante.

Evan – Você é natural de São Bernardo do Campo e mudou-se para Corumbá em 2001, foi quando começo a se reconectar com suas raízes artísticas. Sua mãe teve um papel fundamental nisso. Conte para nós um pouco dessa história.

Vitor – Isso, bom… creio que foi algo natural, na minha infância passei um tempo por aqui por Corumbá, após nascimento em São Bernardo do Campo – SP.  Creio que na adolescência, no meu retorno, algo despertou em mim. Descrever esse despertar seria como escrever o que leva uma pessoa a seguir um caminho, em cada etapa da vida surgiram novos aspectos a refletir. Minha Mãe sempre desenhou quando eu era criança, segui esses passos mostrados por ela. Ela observava alguns desenhos e fazia algumas críticas, via ela pintar camisas também. Nas minhas festas de aniversário ela criava esculturas, silhuetas de isopor e papel com  pintura, para enfeitar a mesa, temas como heróis, etc. Ela sempre mandou muito bem, além de retratos sacros em PB, isso foi… digamos, como meu ninho.

Evan – Como lhe veio a ideia de criar a Ghost Flowers?

Uma das primeiras camisetas produzidas pelo Ghost Flowers.

Vitor – Bom…  já em mim, existia essa marca de pintar camisas, as camisas que minha mãe pintou pra mim e meu primo na infância, acho que esse reflexo ficou guardado em algum lugar e floresceu naturalmente em uma necessidade de personificar minhas roupas, de poder replicar desenhos que dificilmente iria ver em camisas industriais, como uma camisa que havia visto Kurt Cobain usando, em uma foto. Ou da banda Sonic Youth, ou animes que não eram muito populares como Serial  Experiments Lain.   Quando fui morar por um tempo em Maringá – PR, pintei esporadicamente umas camisas e levei uma delas em uma lojinha de souvenir de rock. Lembro que perguntei se poderia deixar uma camisa que eu havia pintado, era da banda Millencolin. Para minha estranheza e surpresa… vendeu ! (Risos.)  Bom, aí investi um pouco em outras camisas que não venderam. A princípio assinava como Vitor Hugo X, em quadriculado, referência um pouco a Cartoon Network e talvez algo de SKA. Isso tudo sem sucesso.  Quando voltei a morar em Corumbá, na época do Orkut, timidamente comecei a publicar algumas coisas, até que um rapaz em São Paulo me pediu para pintar uma camisa de um desenho que ele mesmo tinha criado, exatamente como ele havia feito, daí as coisas começaram a andar, aos poucos. Pintando mais para pessoas de outros estados do que onde vivia, todo tipo de tema, desde camisas inspiradas em documentos históricos à temas inspirados em poesias. O nome Ghost Flowers bom… ele carrega muitas ideias, uma delas é  que flores são dadas de presente, mas por trás da flor tem sentimentos, há intenções de agradar, de amizade etc… e isso não é visto pelos olhos e sim sentido, como um ghost,  então  as camisas são como ‘’Arte que anda’’. São trabalhos soltos, são pinturas que não estão acondicionadas em uma galeria ou a um único tipo de pintura. Até hoje a maioria das pessoas que compram uma camiseta, cerca de 90% dos casos, é para presentear, isso poeticamente é a flor fantasma. *Ghost Flowers também é o nome de um dos álbuns da banda Sonic Youth. Esse nome se encaixou muito bem, veio como uma folha que cai de uma árvore sobre a cabeça do pensante.

Evan – Você foi o curador da exposição “Passa no Museu que a Arte te Abraça”. Como foi o processo para que o evento acontecesse e como foi a experiência do evento realizado?

Quadro: Poesia, Maternidade e Delicadeza. Obra já exposta no Centro Cultural José Octavio Guizzo em Campo Grande – MS, SESC Corumbá entre outros lugares.

Vitor – Sim, isso ocorreu em um dos Festivais América do Sul (FAS) aqui em Corumbá.  Na época eu trabalha no MUHPAN (Museu de História do Pantanal), e já timidamente participava de alguns encontros com pessoal do movimento cultural da cidade, um deles é o Sr. Benedito C.G Lima que tem um projeto chamado Passa na Praça que a Arte te Abraça, no qual já havia participado com ele. Isso me marcou muito, a ideia de abrir, para que pessoas que estejam andando pela rua, terem a oportunidade de interagir com arte livremente. Como bem sabemos, museu não tem o fluxo de visitas  como um shopping. Pensando nisso e no grande evento que estava pra ocorrer na cidade, eu convidei vários parceiros; pintores, artesãos, para uma exposição coletiva, em parceria com o próprio museu, que acolheu muito bem a ideia. Foi muito bom, o evento e muitas pessoas passaram e interagiram com a proposta, haviam alguns monitores, que orientamos em como apresentar as obras aos convidados. Tudo foi como uma grande festa, quando os convidados estão super interessados em dialogar algo em comum. Eu acho que é importante que as pessoas possam ter acesso às produções locais, e mais ainda, nesses momentos de troca.

Evan – De onde vêm as inspirações para as ilustrações que estampam as camisas da Ghost Flowers?

Mais uma camisa da Ghost Flowers

Vitor – As inspirações vem da interação com as pessoas que me procuram, relatam suas ideias, me enviam referências do que procuram em suas camisas e aí começa a produção. Ou, as vezes, quando crio ‘’mini coleções’’ inspiradas em conteúdos que admiro ou simplesmente gosto, geralmente nesses casos são temas como: HQ,  animes, filmes, séries ou artes plásticas. Já são mais de 11 anos produzindo cada peça à mão. Têm camisas em vários estados do Brasil e fora também como: em Berlim na Alemanha e também no Japão e Itália.

Evan – Você também já foi premiado por seus trabalhos artísticos. Conte para nós como foi isso e qual o sentimento de ter seu trabalho reconhecido.

Vitor – Sim, já recebi alguns prêmios em salões de arte. Fico contente, claro, com esses momentos. São oportunidades de mostrar as produções em quadros e murais em uma vertente mais particular, do ponto de vista da inspiração e reflexos sobre a vida.

Mural para SENAC Curso de Gastronomia Campo Grande-MS

Evan – Você já participou do intercâmbio Brasis. Conte para nós um pouco dessa experiência e qual era o objetivo desse intercâmbio.

Vitor – Esse foi um projeto da Funarte, elaborado por Yili Rojas. Ela visitou várias cidades do Brasil e reuniu artistas para elaborarem projetos. Os mesmos seriam escolhidos pelos artistas da cidade do intercambio de cada um.  Eu fui para a cidade de Rio Grande – RS, onde fui muito bem acolhido pelos artistas. Fiquei hospedado na casa da professora e performista Claudia Paim, aprendi muito no pouco que pude compartilhar com ela (in memoria). Também tive contato com professores e a comunidade local. Meu projeto era realizar um mural e dar algumas oficinas, foi uma experiência única! Fiz bons amigos em todo esse processo. Tive a oportunidade de conhecer Pelotas, intermediado por Francis Silva, uma grande  artista, que me levou a alguns eventos de arte, onde um deles, um professor da universidade, viu minhas ilustrações e disse que via muito de ‘’aguadas’’ no literal e sabia que eu estava vindo do Pantanal. Logo fez um link que eu não havia me dado conta…   que em meus trabalhos eu estava inconscientemente representando as minhas vivências, algo muito íntimo, inspirado onde vivia. Até então me preocupava muito por alcançar algo que não era o que estava sendo representado, não era o norte que eu estava levando, esse momento me marcou muito.

Ilustração para o Projeto Brasis

Evan – Fale um pouquinho da sua exposição na Casa da Memória Dr. Gabriel Vandoni de Barros.

Vitor – Esse local é muito importante em Corumbá, pois retrata uma personalidade que buscou fomentar a arte na cidade em muitos sentidos; literatura, escultura, arquitetura, pintura, etc.  Expor lá foi uma honra, trabalho  esse em parceria com a Secretaria de Cultura da cidade, muito bem auxiliado por Jose Rosisca. Foi uma exposição breve, mas o bacana dessa exposição foi o fato de abrir uma nova fase em meus trabalhos mais voltadas ao estilo Cubista Contemporâneo.  Uma pequena pitada de lúdico no uso das cores e o conceitual no uso dos plano de fundo. Além  da ideia da representatividade dos símbolos.

O Pescador de Luz

Evan – Você tem no currículo, intervenções em murais, telas expostas até fora do Brasil e parceria com youtuber… conte para nós um pouco sobre isso tudo.

Vitor – Sim, no Japão ! Esse é um plano de fundo que elaborei para o Yutuber Anderson Tavares do Canal Desbravando o Japão  https://www.desbravandoojapao.com/ e da pagina Todo Dia. Fui muito feliz em ter essa oportunidade… em elaborar o plano de fundo do canal do Anderson. Primeiro que a cultura tradicional japonesa é algo que me emociona e inspira muito… disse a ele que, pelo menos, um pedaço de mim já esta por lá! 

Mural para o Canal Desbravando o Japão do yotuber Anderson Tavares

Evan – Escritores, poetas, artistas de um modo geral, sempre estão envolvidos em um novo projeto. Está preparando algo para ser apresentado futuramente?

Vitor – Ultimamente ando produzindo muitas pinturas na Ghost Flowers, e algumas pinturas para telas. Recentemente, estou expondo em uma cafeteria de Corumbá chamada Inverno d’Italia. Nesta pandemia comecei  a produzir esculturas, uma delas, em homenagem ao produtor de viola de cocho, Sr. Sebastião, como disse,  algo que me inspira muito é a cultura local,  e ser uma espécie de ‘’veículo’’ dessa cultura, através da minha arte, é  um projeto que há muito já está em prática…  bom digo que tenho algumas ideias no forno, (risos), esperando crescerem mais, amadurecer melhor, para pôr em prática.

Evan – Para finalizar, como você avalia a valorização da arte no Brasil e o que poderia ser feito para melhorar esse cenário?

Vitor – Eu vejo que a arte no Brasil é bem valorizada. Talvez,  um pouco mais no exterior do que aqui, isso digo no ponto de vista de fomento e estruturas de apresentações e em mídias mais amplas. Não que não existam, tem sim, mas é mais fácil conhecer um cantor(a) do que um artista visual da sua cidade ou do estado. Isso, de certa forma, não é de todo ruim, pois o que deve mais aparecer nesse caso é a obra! Acredito que deveriam existir suportes mais consistentes, pelo menos um lugar que fosse destinado a ter exposições e divulgação de obas de arte, um lugar que não só dialogue com quem gosta de arte, mas com escolas, comunidades, elaborando propostas de trocas, diálogos etc. Com as produções artísticas de várias modalidades e que nisso tudo, seja bem sustentada, pela representação da memória coletiva e individual. Como disse existem iniciativas nessas situações, mas, talvez… se houvesse um pouco mais de organização e estruturação mais fixas, poderia não persistir mas, sim, existir em cada município.

Evan – Vitor, foi um grande prazer conversar contigo e poder conhecer um pouco mais da sua história, suas experiências e seu modo de ser, tanto pessoal, como artisticamente. Te desejamos todo o sucesso que você merece!

Abaixo outras obras do artista Vitor Hugo Souza.

Essa foi nossa entrevista com o artista plástico Vitor Hugo Souza, de Corumbá para o mundo. Deixe seus comentários. Abaixo segue links de contato do artista.

Instagram: @vhsarte @ghostflowers.camisas

Facebook: https://www.facebook.com/vitorcure/

Vitor em ação



Publicado por Evan Klug

Escritor, Redator, Roteirista, Produtor de Conteúdo para Web e Analista de Qualidade. Amante da literatura, super-heróis, boa comida e o bom e velho rock n' Roll.

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