À Espreita Entrevista: Ngunza Domingos Alberto

Hoje nossa entrevista é internacional. Cruzamos o Atlântico (virtualmente) para falar com o poeta, escritor, professor e ativista cultural angolano; Ngunza Domingos Alberto.

Ngunza nasceu no Waku-Kungo, Província do Kwanza-Sul, Angola. Ngunza Domingos Alberto é poeta, revisor e editor literário, professor, estudante de Língua e Literatura em Língua Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto.

Evan – Olá Ngunza. Para nós do À Espreita é um prazer poder conversar um pouco contigo e falar sobre você, seus projetos e, claro… literatura. Você é membro efetivo da A.J.A.L. Conte-nos um pouco sobre o que é a A.J.A.L., como funciona e qual a sua participação?

Ngunza – A.J.A.L., acrônimo que significa Associação dos Jovens da Literatura  é uma organização  socio-literária e cultural, e de âmbito nacional que  consiste na promoção e valorização da literatura, cultura e educação, unindo na concretização dos seus fins, jovens amantes da Literatura, artes cênicas entre outras para o alcance dos objetivos preconizados. A A.J.A.L. está  voltada para a dinamização, formação da juventude e não só, na identificação das fragilidades do sistema de ensino, da cultura, focando-se nas respectivas soluções por meio de adoção de projetos sociais, de resgate de valores éticos, morais e literários, para a harmonização das sociedades onde estiver inserida. Participo nesta organização como membro, assumindo o cargo de Diretor Nacional para Área Acadêmica e Literária cujo a mim compete: Criar e apresentar programas de incentivos e promoção e formação literária, hábito de leitura e escrita, bem como promover feiras de livros, coordenar concursos etc.

Evan – Que legal! Associações como esta são muito importantes em qualquer país que queira tornar a cultura disponível, tanto na fomentação de novos produtores como de consumidores de produtos culturais. No seu entender, quais as diferenças da literatura africana para a brasileira?

Ngunza – A Literatura como expressão de escrita artística, difere sempre de país a país, isso devido as influências socioculturais e políticas que envolvem cada escritor. E nesta senda, posso afirmar que existem alguns traços distintos entre a literária africana e a literatura brasileira, em particular na assimilabilidade de temáticas  associadas as suas correntes literárias surgidas ao longo da sua história, e que ainda é tangível  na literatura contemporânea, a incorporação de vivência, temáticas de engajamento social, regionalismo, tendências estéticas entre a arte erudita e da arte popular da escrita etc. Em suma, os fatores históricos de cada país ou continente são elementos cruciais que possam diferenciar a sua produção literária.

Evan – Você teve um trabalho premiado em 2018, no Brasil, por sua participação no Concurso Internacional Castro Alves. Como foi isso e o que representou para você ter seu trabalho reconhecido em um concurso de tanto renome?

Ngunza e alguns de seus reconhecimentos

Ngunza – Toda premiação é sempre um aditivo de estímulo para qualquer artista, sem mensurar a sua dimensão. A minha participação ao Concurso Internacional Castro Alves foi por meio de um convite formulado por uma amiga brasileira  chamada Deisi. Nós partilhavámos uma simbiose admiração de escrita poética. Decerto que não esperava esta distinção, justificando pela dimensão do concurso, porém esta premiação, pra mim, representa mais uma satisfação, não somente para exaltação do ego, mas como um princípio de abordar a literatura com mais responsabilidade.

Evan – Você já participou de diversas antologias, além de seu próprio país, também em Moçambique, Portugal e aqui no Brasil. Como é, para você, participar dessas coletâneas e ter seu trabalho exposto em meio a outros escritores e poetas de diferentes países?

Ngunza – Para a minha participação em várias coletâneas, diria que, em alguns é fruto da exposição dos meus textos poéticos nas redes sociais, que resultaram em convites como por exemplo, em Moçambique e destacar no Brasil, na antologia “Florilégio de Esperança”,  “Passa na Praça que Arte te Abraça”.  Foi graças ao meu  entusiasta, amigo, poeta e grande promotor literário Benedito Carlos Gonçalves de Lima, cujo a ele devo a minha honra e admiração pelo apoio incansável! Tenho-o como um pai! As demais coletâneas participei por via de concurso como em Portugal. No entanto, ter minha participação no meio de vários escritores e poetas, simboliza um significado muito hermético, dando ilações de sinais promissores sobre a evolução da minha escrita poética.

Evan – Você tem algum trabalho literário solo ou projeto para desenvolver algum?

Ngunza – Depois de uma atividade intensa de escrita, chega um momento em que sentimos a necessidade de retirar os nossos textos engavetados e tornar ao público, e é neste sentido em que me encontro. Tenho alguns trabalhos literários, livros de poesia com perspectivas de publicar assim que as condições financeiras forem favoráveis. Mas também tenho alguns projetos  voltados ao incentivo da Literatura Infantil e ao mercado editorial para a promoção de novos talentos de escrita literária,  e não só.

Evan – Então vamos aguardar as novidades em um futuro próximo, espero. (Risos). Agora, conta pra gente um pouquinho da sua experiência como professor.

Ngunza – Partindo do adágio que o professor é espalho da sociedade, eu na qualidade de professor, a minha experiência tem sido de um aprendizado, reconhecendo que nós aprendemos mais quando ensinamos ou partilhamos o pouco que a gente saiba. E no final de tudo, percebemos que participamos no desenvolvimento integral desta ou daquela pessoa, cuja ação será um contributo para o bem da sociedade .

Evan – Quais são seus autores favoritos? Algum em quem você se espelha ou inspira? Alguma indicação de leitura para nós?

Ngunza Domingos Alberto

Ngunza – Ainda tenho dificuldade de discriminar os meus autores favoritos e os que atiçam a minha inspiração poéticas,  pois tenho apreciação da arte em várias dimensões, embora não descarto em mencionar Agostinho Neto, António Jacinto, Viriato da Cruz, Isabel Ferreira, José Luís Mendonça,  John Bella,  Noêmia de Sousa,  Pepetela, Florbela Espanca, Carlos Drummond e Ondjaki… e tantos outros poetas e escritores. Para leitura sugiro o livro “Leito do Silêncio” de Isabel Ferreira e outros livros de autores mencionados acima.

Evan – Agora vamos para as perguntas difíceis. (Risos). O que é a poesia para você? Conte para nós um pouco sobre essa relação.

Ngunza – A poesia para mim é a conexão íntima  em resposta de sentimentos ou pensamentos imediatos da alma  entre os artifícios das palavras metafóricas. A poesia é um sopro, é um estado de alma, e para sua melhor composição o poeta deve  seduzir-se pelas palavras e pela expressão íntima da alma.

Evan – A própria resposta já daria uma bela poesia. (Risos). Fale um pouco pra nós sobre os projetos literários do qual participa e sua perspectiva para o mundo no período pós pandemia.

Ngunza – Face a situação da pandemia que aflige o mundo, e como consequência a paralização de certos projetos literários, dentro dos projetos em que estou inserido, temos buscando meios para nova adaptação de acordo com a realidade atual, como a realização de formação  de criação literária online, realização de tertúlia virtual com os escritores, poetas e leitores com objetivo de manter um intercâmbio artístico e incentivar o hábito da leitura e escrita neste período da pandemia, sendo que as perspectivas depois da pandemia é tornar estas atividades mais intimistas entre a classes dos escritores e leitores.

Evan – Que mensagem você deixaria para os colegas escritores e para os leitores?

Ngunza – Reconhecer que a leitura é importante na vida de qualquer escritor, por outro, assumir a escrita com responsabilidade e procurar meios que possam contribuir no desenvolvimento das nossas  habilidades escritas, portanto escrever. Escrever é o eco para auscultar a intensidade do nosso grito literário.  Para os leitores, que o livro seja um meio primordial para aquisição dos conhecimentos e superar a nossa ignorância. Leiam sempre…!

Evan – Ngunza, muito obrigado pela entrevista. Tenho certeza que serviu de inspiração e lição para muitos colegas poetas, escritores e incentivadores da cultura de um modo geral. Grande abraço da equipe À Espreita e muito sucesso na sua jornada literária!

Espero que vocês tenham apreciado esse bate-papo com o poeta Ngunza Domingos Alberto. Deixem seus comentários e mensagens para o nosso grande Ngunza.

Publicado por Evan Klug

Escritor, Redator, Roteirista, Produtor de Conteúdo para Web e Analista de Qualidade. Amante da literatura, super-heróis, boa comida e o bom e velho rock n' Roll.

Um comentário em “À Espreita Entrevista: Ngunza Domingos Alberto

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora
<span>%d</span> blogueiros gostam disto: