À Espreita Entrevista: Eduardo da Costa Mendes

Escritor sul-mato-grossense é o destaque do À Espreita de hoje.

Hoje, vamos publicar a entrevista que fizemos com o autor Eduardo da Costa Mendes de Corumbá-MS. Eduardo tem 27 anos, é estudante de Pedagogia, dono de um sebo e de uma Editora artesanal, a Elmo Negro. Em 2019 o autor foi condecorado com a placa de Destaque Literário em Corumbá pela ALEC e com a medalha da Embaixada da Poesia, concedida pela Academia Virtual de Letras, Poesia e Cultura. Eduardo nos conta sobre suas obras, seus projetos e mais um pouquinho da vida desse destaque literário do Mato Grosso do Sul, para o Brasil.

Evan – Olá Eduardo, fico muito feliz em poder conversar contigo e falar um pouco sobre você, sua carreira como escritor, suas aspirações e sua maneira de ver a literatura atualmente. Conta um coisa pra gente. Como foi que a literatura entrou na sua vida?

Eduardo – Meu caso com a literatura é bem parecido com o da maioria dos escritores, pois também não me imaginava seguindo esse caminho. Porém, o fato do meu caso com a literatura ser semelhante ao de muitos outros não significa que a forma como eu comecei, se pareça também (risos). E você vai entender o motivo. Acredito que por função de eu ser um jovem “noventista”, um dos meus maiores sonhos era trabalhar com histórias em quadrinhos, até por que a influência dos desenhos sobre o meu processo criativo é bastante forte. Mas infelizmente não desenvolvi habilidades na área artística suficientes para fazer histórias em quadrinhos com os padrões de excelência os quais eu almejava. Mas o sonho sempre se manteve e com o passar do tempo, vi que muitas das minhas ideias tinham potencial para se tornarem enredos completos e bem trabalhados. Foi aí que decidi dar uma chance à literatura na minha vida. No ano de 2010, enquanto eu ainda servia às forças armadas, fiz uma viagem de navio para o Paraguai. E nessa viagem não havia muitas coisas diferentes do trabalho a se fazer e, por conta dos monótonos dias que passei à bordo, resolvi começar a escrever a primeira história da minha vida. E foi em um paiol de alimentos, onde eu descascava batatas quase que ininterruptamente, que comecei a escrever o livro “Ictus Vitae: O diário de Claudio”, em um caderno velho, onde fazíamos anotações dos materiais que entravam e saíam do paiol. Desde então não se passou um dia sem que eu escreva ao menos 200 palavras.

Evan – Você é um grande contista com mais de 30 contos escritos de gêneros que vão desde a ficção científica, passando pela fantasia e indo até o horror. Quem ou quais são suas inspirações para escrever?

Eduardo – Por escrever muitos gêneros literários, me baseio na escrita de muitos autores. Mas uma coisa que eu sempre gosto de esclarecer é que eu não me inspiro nas obras de outros autores, eu me atenho ao “poder de sintaxe” que cada um expressa em suas obras. Gosto muito dos autores que possuem uma qualidade linguística bem rebuscada, pois, acredito que dessa maneira aprendo a escrever melhor. Por conta disso, gosto muito do Charles Baudelaire, Edgar Alan Poe, Robert E. Howard, H.P Lovecraft, Machado de Assis… Mas falando dos autores atuais, tenho muito apreço pela escrita do André Vianco, Clecius Alexandre Duran e da Ana Lucia Merege.

Evan – Legal. Citar autores atuais é sempre bom para os valorizar enquanto estão entre nós, não é mesmo? (Risos) Gosto muito também desses três que você citou, inclusive sigo eles nas redes e fui em um lançamento do Vianco há uns dois anos. Mas vamos continuar falando sobre você. Além de escritor você também é desenhista. Você costuma ilustrar suas histórias? Conte-nos um pouco da sua relação com o desenho e se você tem algum projeto envolvendo esse talento.

Eduardo – Sim, eu costumo ilustrar minhas próprias obras, mas isso só acontece, por não possuir grana para mandar ilustrar o tanto de livros e contos que eu já escrevi (risos), pois se dependesse da minha vontade, pagaria para que fizessem esse trabalho. E quanto aos projetos relacionados a ilustrações feitas por mim, a resposta também é sim. Além das obras as quais eu já ilustrei, não somente minhas, mas também as das pessoas que buscam pelos trabalhos da minha editora, tenho a pretensão de ilustrar cada conto meu, pois a grande maioria possui mais de trinta páginas sem diagramação e acaba sendo mais vantajoso vendê-los separadamente. Por conta disso, atualmente estou trabalhando mais com os desenhos do que com a literatura em si.

Capa de Ictus Vitae: O diário de Claudio de Eduardo da Costa Mendes

Evan – Você levou 4 anos escrevendo a obra “Ictus Vitae: O diário de Claudio”, um romance que mistura ficção científica e distopia. Conte para nós um pouco sobre a trama dessa história.

Eduardo – Quando eu comecei a escrever o livro Ictus Vitae: O diário de Claudio, não imaginei que ele tomaria as proporções as quais possui. Foram quatro anos para apresentá-lo ao público. Dentre esses quatro anos, gastei um ano afinco com pesquisas que coubessem nas minhas pretensões para com a obra. Mais um ano escrevendo à mão e outro para digitar e por fim, foi gasto mais um ano para que o mesmo passasse por todos os processos de correção ortográfica e ilustração de capa. E foram quatro anos muito difíceis, pois eu nunca havia escrito nenhuma página vinda da minha própria mente antes e já de cara, comecei com um “calhamaço” que extrapola as 600 páginas. Mas no final das contas, deu tudo certo e o Ictus Viate: O diário de Claudio, se tornou o primeiro livro de uma série que já conta com o segundo volume pronto e o terceiro com mais que a metade escrita. Sua história se passa em um Brasil pós-apocalíptico devastado por uma terceira guerra mundial, a qual foi motivada por uma disputa internacional pelo conhecimento de uma nova bactéria descoberta na Amazônia. Todo o livro é narrado em primeira pessoa, justamente pela voz do personagem Claudio. Esse personagem é o supervisor de um esquadrão militar que faz a segurança do ambiente onde vivem. E após um estranho pedido de socorro, vindo de outro grupo de sobreviventes, esse esquadrão parte de Brasília rumo à Floresta Amazônica, e é durante toda essa trajetória, que a aventura se desenrola. O livro tem um estilo literário bem simples, bem diferente do qual eu adoto hoje em dia, mas é bastante detalhado e possui um tom de violência bem forte. Segundo os leitores que me deram retórica sobre a obra, os personagens são bem construídos e fáceis de se apegar (coisa que não recomendo, pois é muito provável que isso te frustre).

Evan – Isso parece bem interessante! No segundo livro, “Ictus Vitae: O diário dos sobreviventes”, você traz um pouco mais de ficção científica, com muita guerra envolvendo a trama. No que você se baseia para narrar suas histórias. Existem experiências reais que motivaram ou inspiraram as cenas de ação desse romance?

Eduardo – Depois de perceber que o Ictus Vitae se tornaria uma série, decidi tentar algo maior. Minha intenção é fazer com que essa série se destaque pela complexidade de sua trama principal e as secundárias e para isso tive que ir mais a fundo nas pesquisas, pois não sou um escritor de ficção científica que simplesmente escreve o que vem à mente. Eu sempre pesquiso sobre o assunto para tentar reproduzir o mais próximo da realidade, dando ao leitor uma imersão maior. E o fato de ter sido militar também me deu algumas bases para criar situações de maior ação, coisa que é o ponto chave da série Ictus Vitae.

Evan – Logo no início de O diário dos sobreviventes, existe uma nota do autor para os leitores. Nesta nota há meio que um desabafo seu sobre a supervalorização dos autores internacionais tanto pelas grandes editoras quanto pelo público em geral e da subvalorização dos autores nacionais e suas obras. Essa prática não é segredo algum para ninguém. No seu modo de ver, por que isso acontece? Qual sua visão sobre este assunto e o que deveria ser feito para que os autores nacionais pudessem ocupar lugar de destaque no cenário literário?

Eduardo – Seria impossível negar que, talvez por conta da pouca valorização, em sua grande maioria, os autores brasileiros não se esforçam tanto para escrever, quanto os autores internacionais. E isso está nítido na qualidade literária expressa nos livros nacionais. Parece que nós autores não lemos tanto quanto deveríamos e quase sempre apresentamos obras que não passam do “mais do mesmo”, acreditando que estamos sendo super inovadores. Outro fato é que as editoras não são realizadoras de sonhos, elas são empresas interessadas em faturar grana alta e como os leitores dão preferência para os autores internacionais, elas acabam “puxando a sardinha” para o lado com a maior probabilidade de lucro. Acredito que a única maneira desse quadro ser revertido é com o interesse dos leitores nas obras nacionais. A partir do momento que os leitores começarem a comprar mais obras nacionais, as coisas melhoram. Do contrário… ficaremos nessa mesma situação sempre.

Evan – Concordo, esse é um problema de preconceito dos leitores para com os autores nacionais. Existem uma infinidade de ótimos escritores nacionais ainda pouco conhecidos do grande público. Você tem também um livro dedicado ao público infantojuvenil, “O Jogo dos Planetas”. Fale um pouquinho sobre esta história para nós.

Capa de O Jogo dos Planetas de Eduardo da Costa Mendes

Eduardo – A obra “O Jogo dos Planetas” é o romance mais recente que escrevi. Estranhamente tive a ideia da história enquanto assisti o caminhar de uma daquelas aranhas pernudas, que cismam fazer ninhos no alto das paredes das casas. Exatamente! Todo esse livro foi visto e planejado, por mim, durante a observação do caminhar de uma aranha “domiciliar”. E se trata de uma obra de ficção científica espacial, a qual relata a aventura de um casal de irmãos gêmeos durante uma competição intergalática, que tem como prêmio, a evolução de seu planeta natal. A Terra no caso. Lá eles se deparam com uma porção de outros jovens dos mais variados planetas e competem em corridas, que os levam aos mais variados planetas. É bem interessante ressaltar que a dupla de irmãos não é brasileira, eles residem nas ilhas Maldivas e participam da competição com o mesmo barquinho o qual usam para tirar seu sustento do mar. Apesar de eu definir a obra como infantojuvenil, é importante ressaltar que sua linguagem não é tão coloquial, tornando-a um pouco complexa para leitores com poucos hábitos de leitura. Mas acabo por resumir que é uma boa obra e bastante original em muitos aspectos.

Evan – “Marianas” é uma história curta, mas parece diferente de suas outras obras. Fale um pouco sobre o que lhe inspirou a escrever esta história. Você tem algum novo projeto em andamento ou para realizar em um futuro próximo?

Eduardo – A obra Marianas é uma peça de teatro que criei para trabalhar com meus alunos. É uma história que envolve temáticas relevantes para se trabalhar com os adolescentes. Teve muito sucesso e aceitação na escola e pelos pais dos alunos. A história gira em torno de uma jovem chamada Mariana, residente na Cidade Mariana. Daí se deu o nome: Marianas. Mariana engravida de seu namorado, mas decide não contar, pois ele está prestes a ir realizar seu maior sonho, cursar medicina na capital paulista. Por conta disso, a jovem se depara com uma porção de problemas comuns na adolescência. A um primeiro momento, eu não ia publicar como obra, mas por conta dessa peça ter ajudado muitos dos meus alunos a compreender melhor a vida em si, resolvi refinar o texto e publicar. E quanto a novos projetos, para esse ano publicarei uma coletânea de contos de horror que já está escrita e talvez o terceiro volume da série Ictus Vitae, que se chamará Ictus Vitae: O diário da Expansão (Notícia de primeira mão).

Evan – Além de tudo isso você ainda é estudante de pedagogia, tem um sebo e uma editora artesanal. Como você concilia o tempo para dar conta de tantas atividades? Fale um pouco sobre elas para nós.

Eduardo – Eu não sou o tipo de cara que planeja o próprio tempo, mas sou muito disciplinado no que diz respeito os meus afazeres profissionais. Dessa maneira consigo dar conta de tudo o que me proponho fazer. Amo muito tudo o que faço e por isso não vejo meus afazeres como obrigações.

Evan – Que mensagem você deixaria para os colegas escritores, que como você, buscam seu espaço e para os apreciadores da literatura de um modo geral?

Eduardo – Se empenhem tanto quanto possam, meus camaradas. Os gozos desse mundo não pertencem a nós escritores, mas somos os maiores responsáveis pela sanidade da humanidade e por obrigação, temos que nos doar para que nosso legado se perpetue. Não desistam jamais.

Eduardo, obrigado por falar conosco e compartilhar de suas experiências. Nós estamos sempre abrindo espaço para novos autores falaram sobre si e suas obras e apreciamos muito a conversa. Espero que os leitores tenham gostado também e aguardamos os comentários. Sucesso sempre e um grande abraço da equipe À Espreita.

Para conhecer melhor as obras do Eduardo da Costa Mendes é só clicar nos links abaixo e adquirir seus exemplares, se desejar.

O Jogo dos Planetas

Ictus Vitae: O diário de Claudio

Ictus Vitae: O diário dos sobreviventes

Marianas

Publicado por Evan Klug

Escritor, Redator, Roteirista, Produtor de Conteúdo para Web e Analista de Qualidade. Amante da literatura, super-heróis, boa comida e o bom e velho rock n' Roll.

2 comentários em “À Espreita Entrevista: Eduardo da Costa Mendes

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