À Espreita Entrevista: Soraya Abuchaim

Escritora fala sobre sua carreira e seus planos para o futuro, as adversidades que os autores brasileiros enfrentam e muito mais.

Conhecida pelo suspense de suas obras, Soraya Abuchaim não dispensa uma boa história com sangue, não pensa duas vezes para matar um personagem e não esconde sua paixão por Stephen King. Afinal, quem não curte o mestre do terror, não é mesmo?

Tive a oportunidade de conversar com a autora e falar sobre o início da sua carreira como escritora, suas obras e seus projetos futuros. Então, não perca nada e acompanhe essa entrevista super interessante e descontraída com a nossa Dark Queen.

Evan – Primeiramente, obrigado por falar conosco, é uma grande honra para nós poder nos conceder uma exclusiva (risos). Você começou escrevendo contos em seu próprio blog. Como foi esse início e o que te levou a levar a escrita à um novo patamar, como escritora?

Soraya – Meu blog era literário, eu sempre amei ler, era a aluna que só tirava 10 em redação, inclusive, nunca falei isso em público, mas fiz o ENEM nas primeiras edições, e minha nota foi tão boa, especialmente redação, que tinha grande peso, que entrei na faculdade sem prestar vestibular (risos), mas não achava que escrever era para mim. No blog, entre uma resenha e outra, comecei a postar alguns contos curtos, bem amadores mesmo, para não deixar o blog ocioso, já que eu era a única colaboradora dele. E deu certo, aos poucos, as pessoas foram me motivando a escrever mais, me dando retorno de que gostavam dos meus escritos, que eram basicamente, motivacionais e de reflexão. Eu tinha parceria com a editora Andross, eles mandavam as ações para meu blog divulgar, e foi quando vi uma antologia chamada Horas Sombrias, que abriria suas inscrições. Resolvi arriscar e escrevi o conto O Vizinho Suspeito, que hoje está disponível na Amazon. O resultado foi tão bom que eu me tornei mais audaciosa e comecei a escrever histórias mais longas. Foi então que surgiu o thriller Até eu te possuir, e eu não parei mais, exceto nos meus meses “sabáticos”, mas isso é assunto para outro momento (risos).

Evan – Seu primeiro livro foi o suspense “Até Eu Te Possuir”. O sucesso veio e o livro já tem até uma versão em inglês. Para quem ainda não conhece, o que você pode falar do seu primeiro sucesso e como foi concebido?

Soraya – Ops, acho que meio que já respondi na pergunta anterior (risos). Mas essa história surgiu de uma forma engraçada, porque não era para ser um livro. Ela começou como um conto, mas quando percebi, não conseguia mais parar de escrever. Fiquei surpresa porque achei que só seria capaz de escrever histórias mais curtas. Esse livro é muito importante para mim porque, além de ser o primogênito, a Johanna (personagem cujo nome homenageia a Johanna de Saco de Ossos, meu livro queridinho do Stephen King) traz muito da Soraya. Ela é um alter ego, sua história ainda hoje me emociona. Tenho leitores que, apesar de tudo que já escrevi, consideram esse livro o melhor de todas as minhas histórias, e sua tiragem, graças à Deus, esgotou.

Evan – Além dos romances, você tem muita habilidade com histórias curtas, na verdade você começou assim. Para você, qual é a diferença entre produzir um conto e um romance, além do tamanho da obra? Como você decide qual ideia vai virar conto e qual vai ser desenvolvida para um romance?

Soraya – A diferença entre um e outro é o tempo de escrita, obviamente, e a complexidade. Enquanto o conto exige menos do autor, menos no sentido de que você não tem tantas peças e elementos para juntar, no romance é necessário um grande trabalho, mesmo pós escrita, porque não pode haver furos. Não que no conto possa (risos), mas é mais fácil de fazer o conto ficar homogêneo, digamos assim. Em contrapartida, no romance o autor pode explorar mais os personagens, os locais, o background, os elementos, o que fica limitado nos contos. São dois desafios bem distintos. Em geral, quando preciso escrever um conto, eu penso em uma trama que se encaixe em uma história mais curta. Mas às vezes não funciona (risos). A base de início do conto e do romance, para mim, vem sempre de uma micro ideia, e depois eu desenvolvo com mais ou menos complexidade, mais ou menos personagens.

Evan – Falando em contos, você também organizou a antologia “Insanidade” para a Skull Editora. Como é organizar uma antologia? Como é esse processo, foi um convite que veio por parte da editora ou você teve a ideia e apresentou o projeto? Como aconteceu a antologia “Insanidade”?

Soraya – Eu fui convidada pela Skull a organizar essa antologia. O tema, a sinopse, a base e tudo o que a envolveu foi desenvolvido por mim, inclusive a escolha dos contos. Foi bacana porque a editora me deixou bem livre, o que sei que nem sempre acontece. Organizar uma antologia é bastante trabalhoso, envolve muito tempo, mas é compensador, especialmente quando vende tanto quanto “Insanidade”.

Evan – Por vezes você é chamada de Dark Queen da literatura brasileira, o que eu acho muito legal. Como surgiu esse título? Tem alguma história por trás disso?

Soraya – Quando lancei “A Vila dos Pecados” pela Coerência, a revisora, Evelyn Santana, que depois se tornou minha amiga, comentava que eu gostava demais do lado sombrio das coisas, o que não é mentira (risos). Então, ela começou a me chamar de Dark Queen em todos os lugares e grupos. Aos poucos, o apelido pegou, e eu me sinto honrada por carregar essa alcunha.

Evan – “A Vila dos Pecados” é seu segundo livro. Nessa história há uma pequena vila, à margem da civilização, cheia de segredos e a chegada de um novo padre ao local vai começar a sacudir essa história. O que você pode nos contar sobre o que nos espera em “A Vila dos Pecados” e como surgiu a ideia para mais este suspense?

Soraya – Eu comecei com esse livro pensando simplesmente “quero uma história em uma vila” (risos). Sou fascinada por vilas, por lugares ermos, sombrios, tanto que uma das séries que mais gostei esse ano foi Labirinto Verde. Com base nessa premissa, comecei a escrever e desenvolver a Vila dos Pecados. Quando percebi, a história já estava ganhando minha mente e os personagens, meu coração. Eu raramente começo uma história sabendo tudo o que vai acontecer. Tenho uma ideia geral, mas só quando escrevo as situações vão se desenrolando e os personagens aparecem. Essa história tem uma pegada sombria, mas não chega a ser terror como alguns dos meus contos. Traz uma linha de acontecimentos que fazem o leitor duvidar de tudo e todos. Quando acha que descobriu algo, um novo segredo surge. O lado ruim e mesquinho do ser humano está bastante presente, bem como a hipocrisia nas relações.

Evan – O que você acha mais difícil na carreira de escritor. Por que?

Soraya – O mais difícil é ter que lidar com o preconceito que os autores brasileiros sofrem em relação aos estrangeiros. Ainda há essa mentalidade no Brasil, que por si só já lê quase nada, então ficamos “vendidos” e tendo que fazer um trabalho hercúleo para atingir o público e mostrar que sim, há coisa boa aqui, como há lá fora.

Evan – Você lançou recentemente “Pelo Sangue que nos Une” pela editora Cabana Vermelha. A trama desse livro aborda temas como violência, abusos, drogas e tráfico humano além do sobrenatural. Esses temas foram abordados propositalmente, ou seja, você planejou discutir esses temas ou eles simplesmente fazem parte do enredo sem nenhuma maior pretensão?

Soraya – Eu planejei abordar esses temas, especialmente o tráfico de crianças. Claro que muita coisa acaba surgindo no decorrer da escrita, eu costumo dizer que meus personagens tomam conta de mim, não o contrário, mas eu adoro explorar os dramas da natureza humana em seu lado mais sujo e cruel. Tive alguns feedbacks de leitores me dizendo que o sofrimento tem nome e se chama Soraya Abuchaim (risos).

Evan – Você deve estar envolvida em novos projetos para um futuro próximo. Tem algo que você pode nos adiantar sobre o que podemos esperar da Dark Queen Soraya Abuchaim para o ano que vem ou ainda este ano?

Soraya – Estou envolvida em um projeto muito grandioso e inédito, mas que infelizmente ainda é segredo, e ano que vem terei um novo livro para ser lançado. Também teremos uma nova edição de “Até eu te possuir”, revisada e com nova capa, os leitores pedem muito esse livro.  Além disso, estou participando de algumas antologias e, em breve, estrearei um podcast de terror chamado Aterrorizados, com a autora Mhorgana Alessandra e precisaremos muito do apoio dos amantes de terror.

Evan – Que mensagem você deixaria para novos autores que ainda estão buscando seu lugar ao sol, para seus leitores e para converter aqueles que não são muito chegados à leitura?

Soraya – Para os novos autores, eu devo dizer para não desistir. O caminho é mesmo demorado, a conquista do público é lenta, mas é muito, muito compensador. Para os leitores eu só tenho a agradecer. Sou realmente muito apaixonada pelos meus leitores, fico emocionada com o carinho deles. E para os que não gostam muito de leitura, eu diria que ler é um hábito. É como fazer academia. No começo parece que nunca vai engrenar, você começa por obrigação, mas quando pega o gosto, não consegue mais parar.

Evan – Mais uma vez, foi uma grande satisfação e oportunidade conversar com a autora Soraya Abuchaim e a casa está aberta para divulgar seus futuros trabalhos.

Soraya Abuchaim, como vocês puderam ler, falou da dificuldade que os autores nacionais enfrentam, visto o preconceito que o brasileiro tem em relação às obras de autores nacionais. Há uma supervalorização de autores internacionais, principalmente os norte-americanos e uma subvalorização de nossos autores, fato que também sinto na pele.

Fica aqui um pedido aos nossos leitores, dê uma chance à um livro nacional, não deixe de ler os internacionais, mas entre um e outro leia um autor brasileiro, tenho certeza que você vai se surpreender. Nossa literatura hoje é muito diversificada e pode atender à todos os gostos.

Para conhecer melhor o trabalho da autora Soraya Abuchaim deixaremos os links para adquirir qualquer de suas obras.

A Vila dos Pecados

A Vila dos Pecados (versão física)

Antologia Insanidade

Cotidiano

Excursão Noturna

O Vizinho Suspeito

Até eu te possuir

Pelo Sangue Que Nos Une

O Forasteiro

Publicado por Evan Klug

Escritor, Redator, Roteirista, Produtor de Conteúdo para Web e Analista de Qualidade. Amante da literatura, super-heróis, boa comida e o bom e velho rock n' Roll.

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